Levantamento nacional mostra aumento da exposição a fraudes, maior incidência entre jovens e usuários de canais digitais, além de mudanças no perfil dos investimentos e no uso de novas tecnologias como assistentes de IA
A pesquisa anual sobre o perfil do investidor brasileiro revelou que um em cada três brasileiros passou por ao menos uma tentativa de golpe ou fraude financeira em 2025.
O levantamento ouviu quase seis mil pessoas de 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, e é a nona edição do estudo.
No total, 34% dos entrevistados afirmaram ter vivenciado alguma situação de fraude ao longo do ano.
A incidência é maior entre quem costuma usar mais canais digitais e produtos financeiros: entre investidores o índice foi de 42% e na classe AB chegou a 47%.
A análise por faixa etária traz um dado que contradiz a percepção comum: os mais jovens aparecem mais expostos a essas situações.
Entre millennials (30 a 44 anos) o índice foi de 40% e na Geração Z (16 a 29 anos) ficou em 38%, enquanto entre os boomers (65 anos ou mais) caiu para 24%.
Os pesquisadores interpretam que esse padrão reflete a maior circulação dos jovens em ambientes digitais, e não necessariamente maior vulnerabilidade dos mais velhos.
O estudo também mediu, pela primeira vez, o uso de assistentes de inteligência artificial como fonte de informação sobre investimentos, e já identificou 9% dos investidores utilizando essa tecnologia.
Esse percentual supera canais como Facebook, e-mail, TikTok e rádio, e o YouTube segue na liderança entre fontes de informação sobre investimentos pelo quinto ano consecutivo, citado por 35% dos investidores.
Instagram aparece em seguida com 27% e a televisão com 21%.
Se as intenções declaradas pelos entrevistados se concretizarem, o país pode ter cerca de 8,7 milhões de novos investidores em 2026.
Esse número considera 23,2 milhões de não investidores que disseram pretender começar a aplicar, descontando os 14,5 milhões de investidores atuais que sinalizaram intenção de parar.
Os autores do levantamento alertam para a tendência natural ao otimismo nas respostas, o que recomenda cautela na leitura dessas projeções.
Atualmente, o país teria cerca de 60,6 milhões de pessoas investidoras, o que equivale a 36% da população.
Dentre esses investidores, 61% ainda têm a caderneta de poupança como principal produto, embora essa participação tenha caído 14 pontos percentuais em cinco anos.
Produtos de renda fixa privada, como CDBs e letras de crédito, mais que dobraram sua presença nas carteiras, passando de 8% para 20% no mesmo período.
Em relação à poupança, 33% dos brasileiros conseguiram guardar algum dinheiro ao longo de 2025, número estável frente a 2024 e superior aos 27% de 2021.
A parcela de quem realizou algum tipo de investimento no ano atingiu recorde histórico de 24%, ante 18% em 2021.
Marcelo Billi afirmou:
“Os dados também deixam claro que ainda há um grande espaço para inclusão financeira.”
“Embora as pessoas estejam mais atentas às possibilidades de investimento e busquem retorno e segurança para suas economias, persistem barreiras importantes para transformar o dinheiro poupado em investimentos.”
“Nesse contexto, informação de qualidade, educação financeira e confiança seguem sendo decisivas.”