Executivos de empresas vêm usando assistentes de código baseados em IA para criar desde automações simples até sistemas em produção, motivados por impaciência com filas de TI, curiosidade e a necessidade de testar ideias rapidamente; os resultados vão de projetos robustos que atendem centenas de usuários a soluções frágeis que levantam questões de segurança e manutenção.
A nova onda de “vibe-coding” mostra executivos usando assistentes de código com IA para criar desde automações simples até sistemas de produção.
Eles têm construído agentes, dashboards e até apps móveis ligando essas ferramentas às plataformas que já usam.
As motivações variam: impaciência com filas de TI, curiosidade sobre as possibilidades e a vontade de testar ideias rapidamente.
O resultado é diverso — há casos robustos em produção e também soluções frágeis que levantam preocupações de segurança e manutenção.
Um exemplo extremo envolve um CEO que, sem ser programador, especificou a estrutura de dados e deixou um modelo gerar a maior parte do código, resultando em um BBS compatível com terminais IBM 3270 e com centenas de usuários ativos.
Ele relata ter alterado apenas algumas linhas manualmente, enquanto a ferramenta gerou e manteve o restante do sistema.
Outro caso descreve um executivo que preferiu construir duas versões do mesmo app em paralelo — uma com a plataforma da própria empresa e outra com um modelo externo — para comparar desempenho e integração.
O aplicativo consolidava inteligência comercial e substituiu longas sessões de preparação por briefings rápidos acessíveis no celular.
Há relatos de iniciativas menores que já geraram ganhos práticos, como painéis que atualizam automaticamente prazos e requisitos ou agentes que ajudam a gerir ciclos de OKRs sem escrever código tradicional.
Alguns líderes dizem que não programaram no sentido clássico: eles descrevem o que querem e o agente se encarrega da implementação.
Mas analistas alertam sobre riscos reais: muitas dessas aplicações não são endurecidas contra ataques, carecem de controles de auditoria e podem sobrecarregar equipes de TI quando chegam para manutenção.
Também é comum que um profissional de TI participe em algum momento, apesar de o executivo aparecer como autor da iniciativa internamente.
Além disso, a maioria das pessoas sem formação em desenvolvimento costuma esbarrar quando o projeto exige arquitetura mais complexa, como bancos de dados persistentes ou integrações profundas.
Por outro lado, defensores apontam que essas experiências permitem validar ideias sem consumir orçamento de engenharia e podem acelerar o caminho até que a TI refine e operacionalize a solução.
Há debates sobre o impacto no mercado de trabalho: alguns veem uma possível redução na demanda por desenvolvedores tradicionais, enquanto outros comparam a transformação a revoluções anteriores na indústria de software.
No fim, esse movimento mostra que a linha do que é possível vem se movendo rápido e que executivos com ferramentas de IA na mão já estão mudando fluxos de trabalho e prioridades dentro das organizações.