A startup brasileira Comp anunciou o fechamento de uma rodada de Série A no valor de US$ 17,25 milhões para ampliar sua plataforma de RH com inteligência artificial.
Fundada por Christophe Gerlach e Pedro Bobrow, a companhia mistura experiência acadêmica e mercado para atacar um problema clássico: como desenhar políticas de compensação e avaliações de desempenho de forma escalável e menos custosa.
A proposta central da Comp é oferecer uma alternativa às consultorias tradicionais e caras, como Mercer e Korn Ferry, trazendo automação e recomendações baseadas em dados para equipes de RH.
O diferencial deles é o modelo híbrido: software de IA apoiado por executivos de RH “forward‑deployed” que trabalham diretamente com clientes para afinar os modelos e desenhar estratégias.
A rodada foi liderada por Khosla Ventures, com participação dos investidores existentes Kaszek e Canary, além dos novos investidores Abstract Ventures e Endeavor Catalyst.
O general partner Keith Rabois, da Khosla, também entrou no conselho da empresa, reforçando a ambição de expansão internacional da companhia.
Entre os clientes já atendidos pela Comp estão Nubank, QuintoAndar e Creditas, três unicórnios brasileiros que validam o fit do produto no mercado local.
A startup se posiciona como first‑mover em um país onde a adoção de software de RH ainda é limitada, aproveitando esse espaço para crescer rapidamente no mercado interno antes de mirar o exterior.
Agora, com capital novo, a empresa pretende acelerar a entrada nos Estados Unidos e em outros mercados, testando a escalabilidade do seu mix de IA + consultoria prática.
O que muda para quem desenvolve e integra software
Para engenheiros e equipes de produto, a notícia traz alguns pontos práticos a observar.
Modelagem e qualidade de dados serão críticos: compensação envolve muitas variáveis sensíveis e contextuais.
Privacidade e conformidade (LGPD, GDPR) precisam estar no centro desde a arquitetura até os fluxos de treinamento de modelos.
Integração com HRIS existentes e pipelines de dados confiáveis serão requisitos para adoção em larga escala.
O uso de executivos de RH junto ao produto abre oportunidades interessantes para construir ferramentas de feedback humano‑IA e fluxos de ajustes manuais controlados.
Por que isso interessa a quem acompanha o ecossistema
A rodada mostra que existe apetite por soluções que traduzem conhecimento de consultoria em produtos escaláveis, especialmente em mercados subatendidos como o Brasil.
Investimentos desse porte também sinalizam que investidores internacionais veem potencial de exportação de produtos de HR tech oriundos daqui.
Para a comunidade técnica, é uma boa hora para observar patterns de segurança, reproducibilidade de modelos e boas práticas de MLOps aplicadas em domínios sensíveis.
Em resumo: US$ 17,25 milhões podem acelerar uma mudança real na forma como empresas definem salários e avaliações, com tecnologia no centro e humanos experientes para guiar a adoção.
Fica a pergunta para o mercado brasileiro e para os times de engenharia: como transformar conhecimento tácito de RH em regras e modelos confiáveis e auditáveis?