Uma mudança de comportamento do usuário está forçando times de marketing a repensarem métricas e ferramentas tradicionais de avaliação de performance.
Em vez de buscar em motores de busca, cada vez mais consumidores recorrem a assistentes e ferramentas de IA para obter respostas, o que complica o monitoramento de marca e a mensuração de impacto.
Isso abriu espaço para startups que conseguem mapear como modelos de linguagem descrevem marcas, quais respostas entregam e com que frequência as citam.
Uma dessas empresas, a sanfranciscana Profound, anunciou uma rodada Series C liderada pela Lightspeed e levantou US$96 milhões, alcançando valuation de US$1 bilhão—ou seja, entrou para o clube dos unicórnios.
Segundo a Profound, o capital vai acelerar desenvolvimento de produto, integrações e a expansão do ecossistema em torno dos chamados Profound Agents.
O problema que a empresa tenta resolver é comum: muitas equipes coletam insights sobre a visibilidade em IA, mas precisam exportar esses dados para plataformas de automação, criando múltiplos sistemas e latência na execução.
Para simplificar esse fluxo, a Profound lançou os Profound Agents, que adicionam orquestração e automação direto na plataforma, unindo visibilidade e ação num único lugar.
A proposta é transformar a plataforma em uma fonte única de verdade para decisões de marketing orientadas por IA, reduzindo passos manuais e pontos de falha na cadeia de execução.
Clientes citados incluem grandes nomes do varejo e tecnologia, o que demonstra tração em empresas com necessidades complexas de integração e governança de dados.
Do ponto de vista técnico, os Agents são pensados para se conectar a ferramentas já usadas pelas equipes, como HubSpot, Google Workspace, Gamma, Parallel AI e Vercel, facilitando a adoção dentro de stacks existentes.
Para desenvolvedores e engenheiros, isso traduz-se em oportunidades para construir integrações, pipelines e workflows que mantenham controle, auditabilidade e observabilidade das ações acionadas pela IA.
Outro ponto interessante é o esforço da Profound em criar um ecossistema de suporte, com treinamentos, certificações, marketplace de agências e a tal Profound University — movimentos que indicam tentativa de padronizar práticas e formar profissionais especializados.
Entre as novidades conceituais está a ideia do papel de Marketing Engineer, um perfil híbrido que une conhecimento de marketing com habilidades técnicas para operar e orquestrar esses agentes.
Para equipes de produto e engenharia, isso sugere novas responsabilidades: definir SLAs de respostas da IA, garantir privacidade e conformidade, e instrumentar monitoramento para drift e vieses nas saídas de modelos.
Em resumo, a rodada de investimento mostra duas coisas: há demanda crescente por produtos que conectem observabilidade de IA à execução prática, e o mercado está pronto para novos papéis e integrações que atendam essa lacuna.
Se você é desenvolvedor ou arquiteto de sistemas, vale observar como plataformas como a Profound expõem APIs, webhooks e conectores, e pensar em provas de conceito que validem orquestração segura e rastreável entre IA e sistemas legados.
Fique de olho nas próximas integrações e certificações — elas podem abrir portas para quem quer trabalhar na interseção entre marketing e engenharia.