A chegada do novo assistente de IA da Anthropic, chamado Claude Code, mexeu com o mercado e com a rotina de quem trabalha com sistemas legados.
Logo no início da semana, ações de grandes empresas que vivem do trabalho de modernização de mainframes sofreram quedas logo após o anúncio.
De forma resumida: Claude Code automatiza etapas que historicamente exigiam grandes times de análise de código COBOL — mapeamento de dependências, rastreamento de fluxos de dados, identificação de pontos de entrada e riscos — e promete acelerar projetos que normalmente durariam anos para alguns trimestres.
Se a Anthropic estiver certa, a barreira custo/tempo que impedia muitas modernizações pode ter acabado — com impacto direto nas receitas das consultorias que vendem esse serviço.
O movimento balançou o mercado…
Ações de empresas que oferecem serviços de modernização de sistemas legados recuaram no pregão.
A notícia virou alerta para clientes que ainda mantém centenas de milhões (ou bilhões) de linhas de COBOL em produção — setores como financeiro, aviação e governos dependem desses sistemas; estima-se que o COBOL ainda responde por grande parte das transações de caixas eletrônicos nos EUA.
Para quem programa e atua com modernização, as capacidades anunciadas por Claude Code soam familiares — automação de análise estática, geração de documentação, identificação de riscos e mapeamento de dependências entre módulos.
A diferença é o grau de automação.
Tarefas que antes consumiam meses de engenharia podem ser aceleradas graças a modelos de linguagem especializados e pipelines automatizados de análise.
No entanto, há pontos que merecem atenção antes de declarar fim da era dos consultores:
- Validação e correção: a automação pode indicar caminhos e gerar artefatos, mas a validação funcional em ambientes críticos exige testes, simulação e homologação com dados reais.
- Contexto de negócio: entender regras de negócio embutidas em código legado, nuances de processos e impactos regulatórios continua sendo trabalho que exige conhecimento humano.
- Integração e infra: migrar ou modernizar envolve também infraestrutura (mainframes, bases transacionais, integrações), pontos que exigem planejamento além da análise de código.
- Risco jurídico e de segurança: ferramentas automatizadas precisam ser avaliadas quanto a privacidade de dados, propriedade intelectual e vulnerabilidades introduzidas por transformações automáticas.
O anúncio veio acompanhado de um material prático — um Playbook de Modernização de Código — que, na prática, oferece roteiros e padrões para usar a ferramenta em processos de migração.
Para times de desenvolvimento e arquitetos, isso significa duas coisas principais: oportunidades e pressão para atualizar habilidades.
Recomendações práticas para desenvolvedores e líderes técnicos:
- Experimente a ferramenta em pilotos controlados para entender acurácia, false positives/negatives e limitações.
- Invista em automação de testes e em pipelines de QA que validem transformações geradas pela IA.
- Desenvolva competências de integração entre modelos de linguagem e ferramentas tradicionais de engenharia de software.
- Ofereça valor consultivo que vá além da análise de código — foco em riscos, governança, migração de processos e mudança organizacional.
Para consultorias, a chegada de soluções como Claude Code não necessariamente elimina demanda, mas redefine o jogo.
Haverá menos horas cobradas em análise manual de código e mais espaço para serviços de alto valor — migração segura, automação de testes, adaptação de processos e consultoria estratégica.
No curto prazo, a principal lição para a comunidade tech é ficar de olho.
A automação do entendimento de código legado avança rápido, e profissionais que combinarem conhecimento de domínio, capacidade de validação e fluência com ferramentas de IA estarão em vantagem.