Anthropic implementa verificação de identidade no Claude para reforçar segurança e controle de uso

A Anthropic começou a implementar uma nova camada de verificação de identidade no Claude, adicionando mais um elemento de controle sobre quem pode acessar determinados recursos da plataforma.

A medida não será aplicada a todos os usuários de forma ampla, mas sim a casos específicos que a empresa considera mais sensíveis, embora os critérios completos ainda não tenham sido detalhados com precisão.

Segundo comunicado oficial publicado no blog de suporte do Claude, a verificação tem como objetivo reduzir abusos, garantir o cumprimento das políticas de uso e atender exigências legais.

Na prática, alguns usuários poderão se deparar com um pedido de verificação ao tentar acessar certas funcionalidades, como parte de checagens regulares de integridade e segurança da plataforma.

Para viabilizar esse processo, a Anthropic firmou parceria com a Persona Identities, empresa especializada em verificação digital de identidade.

Quando solicitado, o usuário precisará apresentar um documento oficial com foto emitido por governo, como passaporte, carteira de identidade ou habilitação, além de realizar uma selfie em tempo real segurando o documento.

De acordo com a empresa, o processo costuma levar menos de cinco minutos para ser concluído.

Documentos não oficiais, como carteirinhas estudantis, crachás corporativos ou cartões bancários, não são aceitos nesse fluxo de validação.

A Anthropic também fez questão de esclarecer como esses dados serão tratados.

“We are not using your identity data to train our models… We are not collecting more than we need… We are not sharing your identity data with anyone else.”

Os dados de verificação, incluindo documentos e selfies, ficam armazenados na infraestrutura da Persona, não diretamente nos sistemas da Anthropic.

A empresa mantém acesso apenas quando necessário, por exemplo, em casos de revisão de decisões ou recursos feitos por usuários.

Inicialmente, o foco da nova política parece estar em quatro grupos principais: usuários que violam regras de uso, pessoas acessando a plataforma a partir de regiões não suportadas, contas que infringem os termos de serviço e usuários menores de idade.

Sobre localização, a Anthropic trabalha com uma lista de países onde o serviço é oficialmente suportado, ao invés de divulgar explicitamente uma lista de bloqueios.

Entre as regiões fora desse suporte estão países como China, Rússia, Irã, Coreia do Norte e Belarus, além de algumas nações africanas e áreas específicas em zonas de conflito.

Outro ponto que chama atenção é a restrição para menores de 18 anos.

Diferente de concorrentes que permitem uso a partir dos 13 anos, o Claude exige idade mínima mais alta, o que já começou a gerar casos de bloqueio e suspensão de contas.

Um exemplo citado envolve um adolescente de 15 anos que teve sua conta suspensa após o sistema identificar sinais de uso por menor de idade.

“Our team found signals that your account was used by a child. This breaks our rules, so we paused your access to Claude.”

Nesse caso específico, a Anthropic optou por reembolsar o valor da assinatura ativa, mesmo com o período já próximo do fim.

A empresa também reforçou que a verificação de identidade não será usada para treinar seus modelos de inteligência artificial, limitando o uso dessas informações exclusivamente à confirmação de identidade e cumprimento de obrigações legais e de segurança.

A iniciativa surge em um momento em que cresce a pressão global por maior controle sobre plataformas digitais, especialmente em relação ao uso por menores de idade e à mitigação de riscos ligados a segurança e uso indevido.

Com o avanço de sistemas baseados em IA e agentes autônomos, medidas como essa tendem a se tornar cada vez mais comuns no setor, ainda que gerem debates sobre privacidade e limites de intervenção das empresas.

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