O relatório anual do maior banco de dados de cibercrime do mundo registrou, pela primeira vez, mais de 1 milhão de queixas em um só ano.
Ao todo foram 1.008.597 reclamações e perdas financeiras que somaram US$ 20,87 bilhões, um aumento de 26% em relação a 2024.
A média de prejuízo por vítima chegou a US$ 20.699.
O Brasil figura entre os 20 países estrangeiros com maior número de registros, com 2.686 queixas inseridas no sistema.
O relatório também mapeou para onde parte do dinheiro roubado é transferido: Hong Kong lidera, seguida por México e Indonésia.
Segundo o documento, isso mostra que muitos golpes que atingem vítimas em diferentes países terminam em rotas financeiras já bem conhecidas pelas autoridades.
O texto afirma que o departamento americano trabalha em conjunto com a Polícia Federal brasileira em investigações e prisões relacionadas a esses crimes.
As fraudes cibernéticas representaram 85% de todas as perdas registradas no banco de dados em 2025.
Golpes de investimento ficaram no topo dos prejuízos, seguidos por comprometimento de e-mails corporativos e fraudes de suporte técnico.
Para enfrentar esses esquemas, o relatório cita operações de inteligência e parcerias internacionais que resultaram em centenas de prisões ao longo do ano.
Crianças e adolescentes também aparecem entre as vítimas: foram mais de 75.000 registros relacionados a sextortion em 2025.
A faixa etária abaixo de 20 anos registrou 13.168 queixas e perdas próximas a US$ 13 milhões, com extorsão sendo o crime mais frequente entre esse grupo.
A maioria dos pagamentos feitos por menores ocorreu via cartão pré-pago ou transferência entre pessoas físicas, formas de pagamento de difícil rastreamento e reversão.
O relatório destaca que as fraudes de investimento em criptomoedas foram as mais rentáveis no período, com US$ 8,6 bilhões em perdas e 72.984 queixas.
Só os golpes de investimento em cripto responderam por US$ 7,2 bilhões desse total, e os esquemas são atribuídos principalmente a organizações criminosas do Sudeste Asiático.
Segundo o documento, essas quadrilhas, com sedes em países como Camboja, Laos e Birmânia, muitas vezes usam vítimas de tráfico humano como mão de obra forçada para executar as fraudes.
O modus operandi descrito envolve contato inicial por redes sociais, aplicativos de namoro ou mensagens, criação de confiança e convite para plataformas falsas de investimento que exibem lucros fictícios.
Ao tentar resgatar o dinheiro, a vítima acaba sendo pressionada a pagar taxas ou impostos antes que os golpistas desapareçam com os fundos.
Como resposta, foi lançada a Operação Level Up, que identifica e notifica potenciais vítimas desses golpes antes que percam tudo.
Em 2025 a operação notificou 3.780 pessoas e estima ter evitado prejuízos de US$ 225 milhões.
O relatório traz exemplos de intervenções: um homem impedido de sacar US$ 750 mil da aposentadoria, uma mulher que deixou de vender a própria casa para não enviar US$ 500 mil aos golpistas, e outra que desistiu de contrair um empréstimo de US$ 400 mil.
De acordo com o documento, 78% das vítimas notificadas pela operação nem sabiam que estavam sendo enganadas, e 38 pessoas foram encaminhadas a especialistas para intervenção em risco de suicídio.
O time de recuperação de ativos do sistema também iniciou cerca de 3.900 processos de congelamento de fundos para tentar recuperar US$ 1,16 bilhão em transferências fraudulentas.
Desse total, US$ 679 milhões foram efetivamente bloqueados, resultando numa taxa de sucesso estimada em 58%.
O relatório mostra a dimensão global e financeira dos golpes digitais e ressalta a atuação conjunta de equipes internacionais na tentativa de mitigar prejuízos e responsabilizar criminosos.