No coração de Londres, em um prédio discreto perto da estação King’s Cross, uma equipe de 450 pessoas trabalha para mudar a forma como entendemos a direção autônoma.
A Wayve, startup fundada em 2017 por Alex Kendall, de 32 anos, está desenvolvendo um sistema de direção autônoma baseado exclusivamente em inteligência artificial.
Em vez de depender de mapas de alta definição e instruções codificadas, a Wayve utiliza uma rede neural única que aprende a dirigir observando vídeos de direção real.
Segundo Kendall, essa abordagem permite que os veículos aprendam a dirigir de maneira fluida e humana, capazes de lidar com situações imprevisíveis que os sistemas tradicionais enfrentam dificuldades em resolver.
Em maio de 2023, a Wayve recebeu um investimento de US$ 1 bilhão de empresas como SoftBank, Microsoft e Nvidia, representando o maior aporte já feito em uma empresa europeia de IA.
Essa injeção de capital sinaliza um renovado otimismo no setor de veículos autônomos, especialmente para soluções que buscam uma escalabilidade global.
Enquanto empresas como Waymo, da Alphabet, empregam um sistema híbrido que combina IA com instruções manuais e mapas detalhados, a Wayve acredita que seu sistema end-to-end, sem necessidade de mapas ou intervenções humanas, pode ser mais eficiente e adaptável a diferentes ambientes.
Durante um teste pelas ruas movimentadas do norte de Londres, um veículo da Wayve demonstrou habilidades impressionantes.
O carro navegou por situações complexas, como ultrapassar ônibus parados, lidar com pedestres atravessando inesperadamente e contornar obstáculos imprevistos, tudo isso sem hesitação indevida.
Essas situações ressaltam a capacidade do sistema de antecipar e reagir a eventos como um motorista humano experiente faria.
A Wayve planeja oferecer sua tecnologia inicialmente como sistemas avançados de assistência ao motorista de Nível 3, nos quais o veículo pode assumir o controle em certas situações, com o motorista pronto para intervir se necessário.
Com o tempo, a empresa pretende evoluir para níveis mais altos de autonomia, possibilitando veículos totalmente autônomos.
Para alcançar esse objetivo, a Wayve está em negociações com grandes montadoras para implementar sua tecnologia em veículos de produção.
A equipe também foi reforçada com a contratação de profissionais experientes, como Max Warburton, ex-conselheiro da Mercedes, assumindo o cargo de diretor financeiro, e Erez Dagan, que participou da construção da Mobileye, empresa pioneira em visão computacional para veículos, agora como presidente da Wayve.
Apesar do ceticismo de alguns concorrentes que questionam a viabilidade da abordagem end-to-end, Kendall permanece confiante de que esta é a melhor forma de alcançar uma direção autônoma segura e escalável globalmente.
Segundo ele, “se um humano pode dirigir em determinado lugar, não há razão para que uma IA não possa também”.
Com uma estratégia focada em inteligência artificial pura e uma visão voltada para o futuro, a Wayve busca não apenas competir, mas liderar a próxima geração de veículos autônomos.